food porn como estratégia de beleza
- Bru Callegari

- 25 de jan.
- 2 min de leitura
Panquecas da Skims, bloco de manteiga da Bose, pudim de banana da Glossier, sorvete de pistache da Miraggio… 🍨 O que todas essas estratégias de marketing do setor de beleza podem nos dizer sobre comer? Em diversos setores, marcas estão usando a comida como metáfora, o food porn como estratégia de beleza, na intenção de evocar sensações, memórias, emoções e, claro, desejo. 🫦

E por que isso funciona? Bom, porque (como dizemos por aqui quinzenalmente) a comida vai muito além de nutrientes. 🧬 O texto “Comida e antropologia: uma breve revisão”, de Sidney W. Mintz, expressa como o comportamento relativo à comida liga-se diretamente ao sentido de nós mesmos e à nossa identidade social. 💗 A fome pode ser impositiva, mas mesmo nesses momentos os hábitos alimentares continuam sendo veículos de profunda emoção. Nossas atitudes em relação à comida são normalmente aprendidas cedo por adultos afetivamente poderosos (nossos pais 👩❤️👨), o que confere ao nosso comportamento alimentar um poder sentimental duradouro.
Dessa forma, as marcas de tecnologia, moda, beleza, luxo e estilo de vida conseguem mexer com as nossas emoções em um nível mais profundo, tornando seus produtos aparentemente mais acessíveis, desejáveis e emocionalmente envolventes. 🧠 As collabs da Carmed são um exemplo claro da tentativa de explorar todas as nossas sensações: os hidratantes labiais em parceria com a Fini, a Coca-Cola e o Burger King, que possuem aromas e sabores específicos. 👅 Podemos lembrar também do lançamento de produtos corporais Eudora com fragrâncias de gelato Bacio di Latte (Vanilla Caramel, Pistacchio…), da sorveteria Granado e de tantos outros exemplos.

Esse tipo de campanha não apenas ativa nossos sentidos, mas mescla os sentimentos de entusiasmo e nostalgia com a diversão e o prazer da indulgência 😆, fazendo com que os enxerguemos para além da funcionalidade. E como falar de evocação de comfort nostalgia em 2026, sem retornar à 2016? A nostalgia voltou ao centro da cultura jovem, que busca segurança emocional em referências conhecidas, estáveis e previsíveis em um contexto de aceleração, incerteza e excesso de estímulos. 🤳 Ao invés de apenas “reviver” o passado, tentamos recriar a sensação de conforto que ele representava, quase como um mecanismo de regulação emocional, alívio da ansiedade e recuperação da sensação de controle. 🫁 2016, portanto, simboliza para a juventude um momento anterior às grandes rupturas (pandemia, hiperpolitização do digital e pressão por performance), carregando referências mais leves e um consumo menos munido de responsabilidade.
Assim, a abordagem visual e sensorial ligadas à comfort foods remetem à nostalgia e, consequentemente, às sensações evocadas por ela, fazendo dos produtos mais relacionáveis, compartilháveis e memoráveis. 💭 A ideia é a de que o conforto, previsibilidade, intimidade e pertencimento associados valem mais do que o impacto imediato ou a inovação vazia. 🫂






Comentários